Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: JUCINEIDE DE NAZARE NUNES BRAZ
DATA: 27/02/2026
HORA: 15:00
LOCAL: Sala de Reuniões do PPGCITE e Videoconferência.
TÍTULO: IDENTIDADE E SEXUALIDADE: UM ESTUDO COM ALUNOS DA ESCOLA INDÍGENA AIPÃ ANAMBÉ EM MOJU-PA

PALAVRAS-CHAVES: Identidade; Sexualidade; Educação Escolar Indígena; Poder e Resistência; Povo Anambé.

PÁGINAS: 88
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
RESUMO:

Esta dissertação investiga as relações entre identidade e sexualidade a partir das narrativas de jovens estudantes da Escola Indígena Aipã Anambé, localizada na Terra Indígena Anambé, no município de Moju, Pará. Ancorada em uma abordagem qualitativa de cunho etnográfico, a pesquisa compreende o campo como uma correnteza relacional, na qual território, corpo, linguagem, escola, família, religiosidades e mídias se entrelaçam na produção de sentidos sobre o ser, o sentir e o desejar. O percurso metodológico foi organizado em “fases da correnteza”, envolvendo observação participante, diário de campo e entrevistas semiestruturadas com nove interlocutores(as), entre estudantes, gestora e docentes, permitindo a triangulação dos achados à luz de referenciais foucaultianos, estudos discursivos e perspectivas decoloniais, em diálogo com intelectuais indígenas. Os resultados evidenciam que identidade e sexualidade, entre o povo Anambé, não se configuram como categorias fixas ou universais, mas como experiências situadas, atravessadas por tensões entre saberes tradicionais e influências não indígenas, especialmente aquelas oriundas da escola, da moral cristã e das políticas curriculares. A pesquisa revela que, embora o currículo da rede municipal de Moju preveja o tratamento da sexualidade de forma interdisciplinar e contextualizada, sua materialização no cotidiano da escola indígena é atravessada por silêncios, negociações e traduções culturais. As narrativas juvenis mostram que o corpo emerge como território de disputa e reexistência, onde gestos, afetos e escolhas operam como pequenas políticas do cotidiano. Conclui-se que falar de sexualidade entre jovens Anambé implica reconhecer o corpo como memória, o rio como metáfora epistemológica e a pesquisa como compromisso ético de devolução e escuta. Ao atracar a canoa, este estudo reafirma que identidade e sexualidade fluem como o rio Cairari: não se deixam conter por margens rígidas, pois seguem em constante movimento, recriando sentidos, afetos e modos de existir no território.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 001.377.493-09 - JAIRO DA SILVA E SILVA - IFPA
Interno - 698.175.882-20 - PEDRO CHAVES BAIA JUNIOR - UFPA
Externo à Instituição - GILSON PENALVA
Externo à Instituição - JOSIEL DO REGO VILHENA