Uma banca de DEFESA de MESTRADO foi cadastrada pelo programa.
DISCENTE: RUTH HELENA DE CASTRO BARBOSA MENDES
DATA: 25/02/2026
HORA: 14:00
LOCAL: Vídeo conferência e Sala de Reuniões da Pós-Graduação
TÍTULO:

JUVENTUDE E VIOLÊNCIA NO CONTEXTO ESCOLAR: A REALIDADE DE ESTUDANTES DE UMA ESCOLA DO CAMPO EM IGARAPÉ-MIRI/PA

PALAVRAS-CHAVES: Educação do Campo; Juventude do Campo; Violência Escolar.

PÁGINAS: 110
GRANDE ÁREA: Ciências Humanas
ÁREA: Educação
RESUMO:

Este estudo analisa as múltiplas manifestações da violência no contexto escolar a partir das vozes de estudantes de uma escola do campo situada no município de Igarapé-Miri, Pará, na Amazônia paraense. O principal objetivo é compreender como jovens do campo vivenciam, significam e enfrentam diferentes formas de violência no cotidiano da Educação do Campo, articulando tais experiências às práticas institucionais, às condições territoriais e aos regimes discursivos que atravessam a escola. A pesquisa inscreve-se em uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, envolvendo nove estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental (Anos Finais). Os dados foram produzidos por meio de entrevistas semiestruturadas, observação participante com registro em diário de campo e análise documental do Projeto Político-Pedagógico, do Plano de Ação da escola e do Livro de Ocorrências, compondo uma triangulação metodológica que conferiu maior densidade interpretativa às constatações. A análise, inspirada na perspectiva foucaultiana de discurso, poder e subjetivação (Foucault 1987, 2002, 2004, 2006, 2008, 2010, 2013a, 2013b), foi organizada em quatro eixos temáticos: violência institucional e disciplina escolar; violência simbólica e silenciamentos; violência territorial e estrutural; e, gênero, juventude e contradições discursivas. Os resultados evidenciam que a violência na escola do campo se manifesta tanto em sua materialidade estrutural (precariedade da infraestrutura, ausência de transporte escolar regular, insegurança alimentar e exclusão territorial) quanto em sua dimensão simbólica e relacional, marcada por práticas de bullying, humilhações, punições desiguais, silenciamentos e naturalização de desigualdades de gênero. Observa-se que a escola opera, simultaneamente, como espaço de disciplinamento dos corpos e de produção de resistências, afetos e estratégias de cuidado, revelando uma micropolítica da convivência escolar. Ao integrar as narrativas juvenis aos documentos institucionais e às observações de campo, o estudo demonstra as tensões entre o discurso normativo da escola e o cotidiano vivido pelos (as) estudantes, evidenciando contradições, brechas e possibilidades de transformação. Conclui-se que compreender a violência na escola do campo da Amazônia tocantina exige ultrapassar a noção de atos isolados, reconhecendo-a como efeito de redes históricas de poder, desigualdade e exclusão territorial. A pesquisa aponta, assim, para a necessidade de políticas públicas e práticas pedagógicas fundamentadas na ética do cuidado, na escuta ativa e no reconhecimento das juventudes do campo como sujeitos de direitos, reafirmando a escola como território de resistência, dignidade e florescimento.


MEMBROS DA BANCA:
Presidente - 001.377.493-09 - JAIRO DA SILVA E SILVA - IFPA
Interno - 643.295.932-20 - JOSIEL DO REGO VILHENA - UFPA
Externo à Instituição - MIRANILDE OLIVEIRA NEVES
Interno - 698.175.882-20 - PEDRO CHAVES BAIA JUNIOR - UFPA